DENÚNCIA: Sanesul faz perseguição e assédio contra trabalhadores com processo de diárias

O Sindágua-MS denuncia publicamente mais um caso de assédio moral e perseguição dentro da Sanesul: desta vez, a empresa abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar supostas irregularidades no uso de diárias de viagem por trabalhadores que atuaram em um mutirão em Corumbá/MS. Para o sindicato, a apuração foi parcial, com punições seletivas e um claro objetivo de intimidar quem defende direitos.

De acordo com o presidente do Sindágua-MS, Lázaro de Godoy Neto, a parcialidade da apuração não foi coincidência, mas sim uma forma de assédio contra empregados mais combativos, que historicamente cobram condições melhores de trabalho. Trata-se de mais uma tentativa de enfraquecer a organização dos trabalhadores por dentro, usando medidas disciplinares como ameaça e intimidação.

Entenda o caso

O caso começou em outubro de 2024, quando a empresa montou uma Comissão Processante para apurar denúncias de que trabalhadores teriam recebido valores de diárias acima do permitido. O grupo atuava em um mutirão de combate a fraudes e perdas ou em coberturas de férias de operadores de ETA na região. O alojamento escolhido foi uma pousada local, onde, segundo relatos, os trabalhadores precisavam lidar com condições de trabalho intensas, calor extremo e necessidade de lavar uniformes e roupas com frequência — algo que foi justificado nos depoimentos, mas ignorado em parte da decisão final.


Processo não se sustenta em provas concretas

Segundo o próprio relatório do PAD, as supostas irregularidades se dividiram entre alimentação, hospedagem e transporte. Mas na prática, o processo isentou todos os envolvidos quanto à alimentação, confirmando que não houve fraude. Também não se comprovou uso irregular dos valores de transporte para dois dos acusados. Ainda assim, a empresa decidiu aplicar advertência a 11 trabalhadores e suspensão de 10 dias a um funcionário, apontado como suposto “coordenador” do grupo — decisão que, segundo o sindicato, não se sustenta em provas concretas.

“Eles decidiram punir quem quiseram, inocentaram alguns e jogaram toda a culpa em cima de um único trabalhador, tratando como líder de uma suposta fraude sem sequer comprovar isso nos autos. É uma perseguição clara para criar medo”, denuncia o Sindágua-MS.

Para um trabalhador prejudicado ouvido pelo Sindágua-MS, a punição foi uma forma de calar questionamentos: “Eles acham que a gente vai aceitar calado, mas quem acusa precisa ter prova. Se não tem prova, não pode sair punindo só porque tem poder para assinar papel”, desabafa. Ele relata que pagou do próprio bolso hotel e lavanderia em vários momentos, porque o uniforme encharcava e era preciso trocar duas ou até três vezes por dia. “Em Corumbá é muito quente. Não dava para ficar sem roupa limpa. Fiquei 15 dias direto. Eles sabem disso.”

O presidente do Sindágua-MS, Lázaro de Godoy Neto, reforça que a empresa usa medidas disciplinares como instrumento de intimidação, enquanto ignora princípios básicos de justiça e igualdade de tratamento:

“Recebemos denúncias de que outros trabalhadores, que estavam no mesmo local, sequer foram citados no PAD. É perseguição seletiva. Pior ainda, parte da apuração foi feita por auditor de livre nomeação, sem vínculo direto com o quadro efetivo. Isso compromete a isenção e alimenta o clima de medo. É assédio moral institucionalizado”, afirma.

Além de punir sem provas robustas, a Sanesul não responde por problemas reais de gestão, como alojamento precário, falta de estrutura e fornecimento de uniformes insuficientes — pontos apontados pelos trabalhadores. “O que vemos é o rigor máximo contra quem está na ponta garantindo água para toda a população, enquanto quem deveria dar condições dignas de trabalho se omite. É uma inversão de valores”, pontua Lázaro.

O Sindágua-MS alerta que não aceita perseguição e vai tomar todas as medidas cabíveis para garantir que nenhum trabalhador seja penalizado injustamente. O sindicato reafirma que já está levantando informações para acionar órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e reforça a importância de registrar denúncias pela Ouvidoria do sindicato, para dar encaminhamento a todos os casos de assédio, abuso ou perseguição dentro da empresa.

“Trabalhador não pode ter medo de questionar. O sindicato está aqui para defender cada urbanitário e urbanitária. Não vamos permitir retaliação”, conclui o presidente.

Trabalhador(as): se você está sofrendo pressão, assédio ou retaliação na Sanesul, denuncie pela Ouvidoria do Sindágua-MS. Você não está sozinho(a).

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