Crise mundial: falta água potável e saneamento básico

Terminou, em Istambul, na Turquia, o Quinto Fórum Mundial da Água. E o tema central, mais uma vez, foi o da crise mundial de abastecimento e saneamento.
Um dos Objetivos do Milênio, aprovados pela ONU, é o de até 2015 reduzir à metade a parte da população mundial que não tem acesso a água de boa qualidade – mais de um bilhão de pessoas. Mas esse número vem aumentando. Outro objetivo é também reduzir à metade, até aquele ano, os dois bilhões e quatrocentos milhões de pessoas que não dispõem de redes coletoras de esgotos. Mas esses números, em vez de diminuir, estão aumentando. E recentemente a União Internacional pela Conservação da Natureza divulgou que até 2025 dois terços da população mundial serão afetados pela escassez.
No Brasil, há algumas tarefas urgentes para essa área. Não podemos continuar desperdiçando 45 por cento da água que sai das estações de tratamento nas maiores cidades brasileiras.
São Paulo é uma das únicas que está conseguindo reduzir um pouco a perda. Mas tem seus mananciais e reservatórios ameaçados pela ocupação de suas margens por mais de um milhão de pessoas, em áreas sem saneamento básico adequado
Mas no país ainda temos quase 10 por cento da população urbana que não dispõem de água das redes de abastecimento. E quase 30 por cento dos moradores de cidades sem rede de coleta de esgotos.
Essas deficiências têm sérias repercussões na área da saúde, principalmente de crianças. A maioria das consultas e internações de crianças na rede pública de saúde se deve a doenças transmitidas pela água.

Então, precisamos de dois grandes esforços: investimentos para que toda a população tenha acesso à água tratada e às redes de esgotos. E financiamentos dos bancos oficiais para conservação das redes e eliminação dos desperdícios.

Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa “Xingu” e, mais recentemente, “Primeiro Mundo é Aqui”, que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.

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